Sutil destreza Habilidade intensa, frenética De deschavar toxinas em forma de beleza Perícia alta na arte da filha da putagem mascara em um sorriso a punhalada certeira o inferno do por vir
Ao deitar-se à noite a consciência é tranquila. Manipulação é a capacidade de provocar gangrena a ferida alheia e acordar noutro dia como quem nasce, renasce,num sopro de vida de alma lavada e a consciência tranquila.
Sempre fui um menino diferente, daqueles que as
pessoas olham meio torto, de longe e pensam: ele é diferente, não sei o que ele
tem, mas ele é!
Desde pequeno sempre brincava com meninos e com meninas,
e embora tivesse um notável desempenho nas brincadeiras “de menino”, sempre
sendo o melhor “ranger vermelho”, ou “preto”, ou aquele “ranger renegado”, sabe
aquele que no início é do mau, mas depois se junta aos mocinhos? Pois é este
era eu, e eu era bom nestas brincadeiras, de verdade! Mas eu também era bom com
casinha, com bonecas, com bonecos, com comidinhas, com desenhos (na maioria
abstratos), vivia rodeado de meninos e meninas e freqüentemente as mães dos meninos
olhavam com aquele olhar de: ele é estranho !
Então, o garotinho chegou à adolescência, e como
sabemos, a adolescência é aquele período em que você - adolescente - se acha adulto
para quase tudo, enquanto os adultos ainda sabem que você no fundo queria
continuar a ser criança por um bom tempo. E começam as piadinhas:
- Olha só: Chegou o destro!
- Ih, lá vem o destro!
- Menino, porque você anda tanto com meninas? Fala das
coisas de meninas? Com que mão você escreve?
E eu respondia:
- Esquerda, por quê?
E eles, com cara de assustados respondiam:
- Nossa, jurava que você fosse destro!
Eu não entendia o porquê sempre achavam que eu fosse
uma coisa que eu não era apenas por pensar diferente, por ter preferências por assuntos
tidos como de destros ao invés dos de canhotos.
Assim eu segui a adolescência, nunca mudei minhas preferências,
nunca deixei de escrever com a mão esquerda,
mas ainda não entendo a razão de ser taxado de destro, e por muito tempo achei
que isto era uma coisa ruim. Cheguei a perder um amigo, que também sofria por
ser chamado de destro, e segundo os que nos chamavam, eu era menos destro do
que ele ! Mas o que raios isso queria dizer?
Então ele morreu, e muitos foram ao enterro dele,
inclusive os que o chamaram de destro, e eu não entendia porque ser destro
mudava a vida de alguém, para mim, ser destro ( que antes me incomodava um
pouco) passou a ser normal ( o que de fato é), e eu parei de tentar brigar com meu “jeito
destro”, e foi aí que comecei a ser menos intolerante, mais amigo, mais feliz.
Cheguei aos meus 18 anos, havia me mudado de SP para o Rio
aos 15 e já morava aqui há um tempo, e percebi que aqui havia muita gente que
não gostava de destro, mas em contraponto havia muitos destros, ou pelo menos
os destros daqui davam a cara para bater, achei legal por demais, e fiz alguns
amigos destros, e destras também, e alguns poucos ambidestros.
Cheguei à UFRRJ, aos 18 anos, e a frase que mais ouço
de pessoas que me conhecem na faculdade é: JURAVA QUE VC FOSSE DESTRO QUANDO TE
VI PELA PRIMEIRA VEZ! E o mais engraçado de tudo é que dizem isto em um tom de
alívio,como se estivessem pedindo desculpas por terem confundido um canhoto com um destro, pois não me enquadro em muitos dos chamados jeitos de canhoto. Quer
saber de uma verdade? Eu não mudaria
nada no meu jeito de destro, para tentar parecer mais canhoto, não acredito que
exista esta coisa de jeito isto ou jeito aquilo, as pessoas são o que são, e pronto!
Se você que está lendo isto (se é que alguém vai ler )
e não percebeu ainda que não se trata
nem de longe de um texto sobre qual mão eu uso para escrever, vou te dar uma
ajudinha: volte a ler o texto e substitua a palavra destro por gay e a palavra
canhoto por adjetivos machistas como macho,homem, ou pelo termo heterossexual, e você vai entender do que estou falando !
Já fui ofendido no trem, já bati boca, porque os HOMENS,
CABRA MACHOS, se acharam no direito de pensar que eu era homossexual por estar
vestido de uma determinada forma ou jeito de arrumar o cabelo, e eu, claro que
não desmenti, não revelei que eu sou
hétero, que tenho namorada, pois isto seria uma forma de me ausentar da
confusão, e eu não quero me ausentar, não devo... Eu bati boca, porque é direito de qualquer um ser o que quiser ser,
parecer com o que quiser sem ser julgado, não existe jeito assim ou assado que
dite o que você é.
Se eu, heterossexual, estudante
universitário, sofro preconceito... Imagine quem desde pequeno é “destro” e
sofre as mesmas coisas, apenas por ser,
nada além de SER... Se eu saio na rua com medo de apanhar ou sofrer violência
por “parecer destro”, imagine quem de fato é “destra, destro, ambidestra, ambidestro”.
Se este texto fosse realmente sobre qual mão eu
utilizo para escrever, vocês achariam um absurdo uma pessoa sofrer preconceito
pela mão que ela escreve... E eu me pergunto por que para algumas pessoas é normal sentir ódio por
alguém que é dona da própria vida , do próprio corpo, mas não pode ser ela
mesma sem sofrer julgamentos, preconceitos, discriminação e ódio ? Mais amor...
Mais respeito... Menos julgamento alheio! Don't be a Drag just be a Queen !
Anômalo,louco em loucura inconstante: loucura sazonal Loucura - é o alimento do vagão de sonhos da locomotiva da bio existência Ouvir cada voz que sussurra aos ouvidos como se fossem ordens estritas de seres extra-angelicais de si mesmo, ancestrais primitivos,ou de um futuro distinto. A insanidade se faz necessária,ela força a externar a essências,ela torna possível todos os momentos de vida: do eu que sente, que vive, que morre e renasce sensível ao caos; a loucura é a única fonte concreta de coesão com o mundo. É na loucura e no lodo do caos que a LÓTUS floresce.
Estripado entre correntezas de ódio que perpetuam a discórdia em forma de gotas de orvalho que escorrem de meus olvidos lacrimejantes de sofrimento.
Sinceramente? Eu não sei o que é arte,não procuro saber,nem mesmo entender,arte é para ser sentida e encontrada dentro de seu amago a arder em fúria,ou em calma,ou em orações subordinadas,adjuntos verbais,ou em sonetos,ou em contar estórias.
Arte é sangrar propositalmente em prol de algo com um significado tão intrínseco que exterioriza no corpo o que a alma por já não mais aguentar rompeu e deixou transbordar completamente.
Arte é um nome, substantivo por essência, substância essência de significação, 4 letras, milhões de possibilidades de significados,e por que não de significantes ? Arte é desenhar,é ter um sonho,é criar um filho,é crer em deus,é crer no diabo,é crer em alá,jeová,javé,exu, iemanjá, é não crer em nada.
Arte é ser uma mistura de nada com tudo e perceber-se sozinho no mundo da não existência,é achar a vida uma bosta,ou uma maravilha,depende de como você vê a maldita metáfora do copo.
E por que não seriam arte as pessoas ? As pessoas doam,cuidam,amam,choram,inventam,vomitam,morrem.
Elas são belas,elas criam arte para tudo,arte para nada,arte que significa,arte que não significa,arte que significa uma vida,arte que significa uma morte.
Acho que o ser humano é dotado da capacidade de mudança exatamente para poder captar os sentidos que se produzem e reproduzem e os distorcê-los,os apropriá-los ou desapropriá-los,e a partir disto, entendo, para o bem de minha simplória existência, o porquê conheci o Artic Monkeys aos 15 e os odiei até meados de meus 20 anos e logo começar a escutar as mesmas músicas as quais odiava e sentir o mesmo arrepio de quando tinha 15 anos e ouvia Foo Fighters,isto é esplendido !
A arte existe e rompe conceitos,preceitos,preconceitos,rompe a idade, o tempo,vence a distância e me faz conseguir entender que talvez não seja arte um conceito,mas um estado catártico que só pode ser alcançado por um ser quando este está de fato pronto,nem antes,nem depois,ou até mesmo o que se sugere arte não seja ainda arte nos olhos de quem vê,ou sente,ou não sente e não vê,ou vê e não quer sentir,ou sente sem ver,e vê sem sentir, ou nem sequer sabe o que vê e o que sente.
É no grotesco da arte que alguns acham seu espaço ,e é no sublime da arte que se acha a não necessidade de se entender o quão somos insignificantes por rotularmos o que ela é.
Ainda tento entender por que sempre me contaram mentiras.
Quem imaginou um dia que a vida fosse um conto de fadas enganou-se,a vida é complicada.Primeira mentira ! A vida é muito mais simples do que se pensa,somos nós quem complicamos.
Grande parte das dúvidas de nossa vida adulta começa quando criança,logo quando pensamos no " que serei quando crescer ?"Astronauta,policial,bombeiro,músico,agente secreto,inventor maluco,médico,ator,super herói, são algumas das mais comuns.Eu queria ser bombeiro,agente secreto,músico e inventor,e piloto de nave espacial,tudo ao mesmo tempo.
O tempo passou, fui crescendo e os sonhos se tornaram cada vez mais distantes,pelo menos aqueles dali de cima,comecei a pensar em fazer faculdade,falar mais de 4 línguas, casar,ter filhos,talvez uma casa.
A pressão a medida que eu crescia apenas aumentava sobre o que fazer pelo resto da vida,vestibular chegando,ENEM, e eu sem saber o que ser.
É exatamente aqui que eu queria chegar,neste exato ponto.Por que um garoto de 17 anos tem de decidir o que vai fazer pelo resto da vida ? É pressão demais para alguém que só queria ouvir um som e estudava porque era a única coisa que fazia (ou pelo menos achava que fazia) direito.
Depois do drama da escolha,ou melhor, do drama da escolha errada,houve uma reviravolta, e 2 anos e meio depois,encontro-me nos finais de minha graduação,fazendo o que gosto,estudando o que gosto,não serei nada do que planejei,ou melhor,serei tudo aquilo e muito mais,serei professor,justamente a profissão que eu vivia dizendo a todos os meus amigos do "Odilão" que eu jamais seria.
Até meu 4º. período da faculdade eu ainda tinha dúvidas de minha vida,de meu futuro,mas parei para refletir e finalmente entendi o porque foi tão difícil descobrir meu caminho,e me lembrei de quando tinha 17 anos e precisava escolher uma profissão para o resto da vida,o problema naquela época não era o que fazer pelo resto da vida,era o medo,ele regia minhas ações.Não qualquer medo,mas o mesmo medo que me assolara novamente no meio da graduação,o mesmo medo,a mesma sensação e vontade de desistir de tudo,o medo de não ser bom,o medo de não saber como será o dia de amanhã,medo de não fazer o que gosto e descobrir em um dia cinza que tudo que foi feito não acalentava mais o coração,foi ai que percebi: e daí se um dia nada do fiz me desse vontade de fazer de novo ? Eu estou vivo, não estou ? Então posso mudar.E daí que gastei tempo,sofri,chorei ? Se me der na telha e me fizer feliz porque não mudar ?
E foi ai que descobri que no agora sou feliz em ser um Ruralino de Letras prestes a adentrar no sétimo período,com intuito de seguir estudando,com vontade de lecionar,de estudar mais,e de lecionar mais,e,se em um dia cinzento encontrar-me sem vontade de continuar,certamente ainda assim serei feliz de ter feito Letras,mas seguirei outro caminho, em outra direção,pois a final de contas ainda sou apenas um cara que gosta de ouvir um som e estuda porque acha que é a única coisa que sabe fazer direito.